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O Papa reza em silêncio perante o horror vivido em Auschwitz

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“Macht arbeit frei”, “O trabalho vos fará livres”, ainda se lê na inscrição acima da porta de entrada do campo de concentração nazista de Auschwitz. Um lugar que não deixa ninguém indiferente, um lugar onde os seres humanos fizeram e sofreram grandes horrores. Um lugar em que muitos anos depois, ainda é possível perceber e sentir a dor sofrida lá. Até aí foi, hoje, o Santo Padre, em uma visita feita em profundo silêncio e atitude de recolhimento. Sem discursos ou protocolos. É a primeira vez que Francisco visita este lugar e ele quis fazê-lo desta forma, sem palavras que distraiam.

Assim, o Santo Padre entrou no campo de Auschwitz-Birkenau, a pé, e caminhando sozinho cruzou a entrada. Depois subiu a um pequeno carro elétrico e foi à “praça do chamado” e, sentado, rezou durante alguns minutos. De lá foi à entrada do “Bloco 11” e saudou dez sobreviventes. Com muita ternura e atenção as ouvia e abraçava.

O último que o cumprimentou deu-lhe uma vela que o Pontífice acendeu e ofereceu como presente no campo de concentração. E de novo, um momento de oração diante do Muro da Morte, onde depositou a vela.

Um dos momentos mais pungentes foi quando o Santo Padre entrou na cela da fome, a cela do martírio de São Maximiliano Kolbe, sacerdote polonês que ofereceu sua vida pela de outro prisioneiro. Em silêncio e sentado, Francisco orou de novo neste pequeno e escuro lugar de tortura, onde deixavam os presos morrerem de fome e sede. Em seguida, assinou o Livro de Honra, onde escreveu em espanhol: “Senhor, tem piedade de seu povo! Senhor, perdoa tanta crueldade!”.

Para completar a visita, o Papa Francisco também foi ao outro lado do campo, conhecido como Birkenau. Trata-se de 175 hectares de terra. Lá, os nazistas construíram a maior parte das instalações de extermínio: 4 crematórios com câmaras de gás e 2 câmaras de gás provisórias. Foram construídos 300 alojamentos de madeira para abrigar presos condenados a trabalhos forçados e morte lenta. O número de detidos em agosto de 1944 chegou a 100 mil.

Hoje mil pessoas estavam esperando lá a chegada do Papa. Francisco caminhou ao lado dos túmulos memoriais com inscrições em diferentes línguas das vítimas. E mais uma vez um momento de oração silenciosa. Depois acendeu uma vela. Para concluir, cumprimentou 25 justos entre as nações, pessoas não judias que ofereceram ajuda de maneira altruísta e singular às vítimas da perseguição nazista.

A intensa e comovedora visita do Santo Padre a este lugar de horror e destruição terminou com o Salmo 130, o De Profundis, cantado em hebraico pelo rabino, e depois lido em polonês por um sobrevivente.

As tropas nazistas invadiram a Polônia em 1º de setembro de 1939, e 17 dias depois as tropas soviéticas também entraram no país, dividindo o território da Segunda República Polaca. Na parte adjacente do Terceiro Reich, o comando nazista muda o nome da cidade polonesa de Oswiecim para “Auschwitz” e cria em torno o campo de concentração.

O acampamento esteve ativo até o dia de sua libertação, 27 de janeiro de 1945. Nos quase cinco anos que esteve aberto, morreram neste lugar mais de um milhão de judeus europeus, 23.000 ciganos, 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos e dezenas de milhares de cidadãos de outras nacionalidades.

No início, os nazistas enviaram à morte, especialmente presos políticos poloneses, cerca de 150 mil. Ao longo do tempo, também enviaram para este campo prisioneiros de outras nacionalidades e na primavera de 1942 começaram com o extermínio dos judeus.

Tanto João Paulo II quanto Bento XVI visitaram este lugar. O papa polonês o fez em sua primeira viagem à Polônia como Papa, em 7 de Junho de 1979. Na missa realizada no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, São João Paulo II recordou que “Nunca uma nação pode se desenvolver em detrimento de outra, a preço de servidão do outro, a preço de conquista, ultraje, exploração e morte”. E falou deste lugar como o “Gólgota do mundo moderno.”

Por sua parte, Bento XVI visitou-o em 28 de Maio de 2006. Em seu discurso, lembrou que “o Papa João Paulo II esteve aqui como filho do povo polonês”. Eu – disse Bento XVI – hoje estou aqui como filho do povo alemão, e precisamente por isso devia vir aqui. Também assegurou que “era e é um dever perante a verdade e perante o direito de todos os que sofreram, um dever perante Deus, estar aqui como sucessor de João Paulo II e como filho do povo alemão, como filho do povo sobre o qual um grupo de criminosos chegou ao poder por meio de promessas mentirosas, em nome da grandeza, da recuperação da honra da nação e da sua importância, com previsões de prosperidade, e também através do terror e da intimidação; assim, usaram e abusaram do nosso povo como instrumento do seu frenesi de destruição e dominação”.

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